quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

JOÃO PAULO II


João Paulo II (Karol Wojtyla)



Karol Józef Wojtyla (Wadowicw, Polónia, 18 de maio de 1920 – Cidade do Vaticano, 2 de abril de 2005), mais conhecido como João Paulo II, foi o 264.º Papa da Igreja Católica e Chefe de Estado da Cidade do Vaticano desde 16 de outubro de 1978 até à sua morte em 2005. Foi beatificado a 01-05-2011.
Em 1948 conheceu o cardeal Stefan Wyszynski, um símbolo da Igreja Polaca contra o comunismo, que recomendou ao Vaticano a nomeação de Karol Józef Wojtyla como Papa.

Tendo sido bispo auxiliar (desde 1958) e arcebispo de Cracóvia (desde 1962), converteu-se no primeiro Papa polaco da história e no primeiro italiano desde 1523.

João Paulo II foi aclamado como um dos líderes mais influentes do século XX, tendo visitado 129 países. Recordando-o especialmente por ser um dos principais símbolos do anticomunismo pela sua luta contra a expansão do marxismo em lugares como a Europa e a América Latina, onde combateu energicamente o movimento conhecido como a teologia da liberalização, com a ajuda do seu braço direito, posteriormente seu sucessor, Joseph Ratzinger.

Desempenhou também um papel decisivo para pôr fim ao comunismo na sua terra natal e, finalmente, em toda a Europa com o movimento “Solidariedade”. Os soviéticos proibiram o movimento anticomunismo estabelecendo a lei marcial em 1981; em 1989 caiu o muro de Berlim, impondo o capitalismo pela Europa.



“Portanto, não vos deixeis corromper, fabricando para vós imagem esculpida de qualquer ídolo, masculino ou feminino, representação…”
                                                                                                                (Deuteronómio, 4-16)

                             
A sua obra

João Paulo II propôs-se como guia do mundo contemporâneo com os seguintes objetivos:

·         Nova evangelização: mensagem de amor ao mundo dos marginalizados e desfavorecidos, com a preocupação da descristianização da Europa.

·         Ecumenismo: aproximação entre a igreja e as outras doutrinas religiosas.

·         Compromisso ético e social: opôs-se à injustiça social, criticando o comunismo e o capitalismo mais liberal; também se opôs ao aborto.

·         Luta pela paz: campanha contra as guerras e o armamento.

·         Rigor doutrinal: João Paulo II opôs-se à corrente cristã Teologia da Libertação sobre os anos 70, um movimento cristão político com origens marxistas. Alegando que o marxismo e a política não são compatíveis com o evangelho, uma das suas frases foi: “Os fundamentos da religião e da política são distintos, cada um tem os seus próprios objetivos e cada um tem o poder consciencializar as pessoas; a política e a religião devem prosseguir separadas”. Também se opôs a dar a comunhão aos divorciados que voltavam a casar, ao matrimónio dos sacerdotes e à ordenação das mulheres.


Relações internacionais

No início do pontificado de João Paulo II, a Santa Sede mantinha relações diplomáticas com 84 estados. Ao falecer este Papa, tinha-as com 173. Participou, igualmente, como membro de pleno direito ou como observador em vários organismos internacionais e regionais.

As 104 visitas internacionais de João Paulo II foram realizadas maioritariamente na sua dupla aceção, como chefe de estado e como cabecilha da Igreja Católica.

                                                                               

Mapa indicador dos países visitados por João Paulo II

Realizou múltiplas viagens de relevância política, como os encontros com Mijaíl Gorbachov, em dezembro de 1989, o que facilitou a transição da Europa comunista à Europa capitalista e o estabelecimento da Igreja Católica na Europa. Com uma reconciliação com o comunismo, depois da visita a Cuba, com Fidel Castro, em 1998.

Visitou a ilha Senegalesa da Coreia em 1992, pedindo perdão pela indiferença da Igreja Católica face à escravidão; 20 milhões de escravos foram deportados para o mundo novo (1536-1848).

João Paulo II pediu perdão pela injustiça da Inquisição por obrigar a Galileu Galilei (1564-1642) a retrair-se pelas suas doutrinas heliocêntricas.


Fonte: Documento “No temáis”, Ministério de Cultura de España (Wikipedia)

                                                                            

Praça de São Pedro (30-01-05)

Conclusão

João Paulo II teve uma atitude contraditória, ao opor-se ao movimento Teologia da Libertação ao Marxismo (“Os fundamentos da religião e da política são distintos, cada um tem os seus próprios objetivos e cada um tem o poder consciencializar as pessoas; a política e a religião devem prosseguir separadas”.)

Qual é o sentido de reprovar o movimento teológico da libertação como movimento político, e não o contemplar como tal, no seu movimento anticomunista “Solidariedade”? Se estava em desacordo com o regime que governava é porque aceitava o que estava por detrás dele. O seu bem-sucedido movimento político Solidariedade teve consequências para a população, tal como indica o seguinte artigo:

                                                 

Marxismo e Cristianismo

É falso que o marxismo não seja compatível com o cristianismo. Os primeiros cristãos viviam em comunidades nas quais repartiam os seus bens.

“Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum.”  
                                                                                                                           (Atos 2: 44-45)


Os marxistas defendem que deve desaparecer a propriedade privada e os meios de criar esta riqueza, e que esta propriedade deve estar nas mãos do Estado (soberania sobre o Estado - ver notícia Bielorrusia: 1 por ciento de desempleo gracias al control estatal de la economia”, in http://www.librered.net/?p=19231)

                                                                    

É verdade que uma política comunista pode apresentar falhas, mas isso será pela conduta dos defensores, não pelo modelo. O modelo em si é o modelo natural; o maior serve o menor, como demonstrou Cristo.

Depois deitou água na bacia e começou a lavar os pés aos discípulos, e a enxugar-lhos com a toalha que atara á cintura.
                                                                                                                              (João 13-5)   


Existem duas formas de repartir a riqueza: uma repartindo equitativamente e a outra obedecendo à própria avareza humana com o lema “os fins justificam os meios” (guerras, pressões económicas), tendo como resultado grandes desigualdades e miséria.

Carlos Marx argumentou que uma sociedade que organiza a sua produção só para a obtenção de lucro cria desordem e caos, promovendo injustiças sociais no mundo (El Capital, por Carlos Marx).

Não podemos esquecer que o dinheiro é poder. Quem mais tem, mais poder possui. Portanto, estamos à mercê das grandes fortunas que condicionam a democracia e as suas leis para o seu próprio benefício. As urnas e os seus políticos não são mais do que uma ilusão para o povo, adormecido pela globalização.

Quanto mais conhecimento se trouxer para os demais, maior será o seu entendimento ao serviço da comunidade. Assim se cria a unidade, prevenindo e punindo o abuso, em qualquer direção.



Falsa moral

Por outro lado, João Paulo II criticou as desigualdades e a pobreza, mas não as suas causas e os seus executores; pelo contrário, manteve relações com o mundo inteiro, o que o dotou de um caráter indulgente e interessado, já que uma fonte importante do seu próprio financiamento provinha dos Estados (veja-se o caso Calvi 2007, elpais.com / elpais.com / diário / 2007/06/10/.../1181426402_850215.html).

                                                                         

Reprovar o capitalismo mais liberal é o mesmo que criticar o capitalismo mais moderado já que este, por definição, significa um mercado livre e o usufruto da propriedade privada sobre o capital. Logo, o capitalismo mais liberal é o produto de um capitalismo mais primário. A avareza tem início no fim.

Para ter uma visão ampla da realidade e assim evitar o fracasso, o homem deve render-se às leis naturais. Como disse Lao Tsé, o homem deve-se à totalidade.


Lao Tsé (TAO TE KING) XXXVIII

Quando se perde o sentido, então a vida.
Perdida a vida, então o amor.
Perdido o amor, então a justiça.
Perdida a justiça, então a moral.
A moral é a carência da fé e da lealdade,
e o início da confusão.
A premeditação não é mais do que a ilusão do sentido,
e o princípio da necessidade.
O homem justo está em conformidade com a totalidade
E não conserva a parte.


Ou, como disse Cristo: […] para te ensinar que nem só de pão vive o homem; de tudo o que sai da boca do SENHOR é que o homem viverá”.
                                                                                                                   (Deuteronómio 8:3)

Como se argumenta na Alquinatura, existem seis atitudes que contemplam a expressão dos seis elementos para assim se adquirir um estado de consciência: música, educação, desporto, alimentação, medicina e relações. Se praticas um desporto, pratica um que te beneficia; uma música que não agrida a tua própria natureza (música estridente); uma alimentação que não te contamine, não só do ponto de vista químico, mas também moral; uma medicina alquímica que potencie o teu espírito, sane a tua alma e cure o teu corpo por via natural, porque a vida e a saúde obedecem a leis naturais de causa-efeito e como tal são o resultado da sintonia entre o homem e a natureza.

“Para estar saudável faz o contrário do que fizeste para ficar doente”.
                                                                                                              (aforismo Hipocrático)

Isto não é radicalismo, é ordem e amor, desprendido dos egos do homem. Pode ser o mesmo radicalismo que seguiram os judeus ao decidir escolher Barrabás em detrimento de Cristo. Cristo constituía uma ameaça contra as consciências. Os caminhos verdadeiros não são fáceis, a luta interior dos egos é a maior guerra que podemos empreender para nos livrarmos da escravidão humana estereotipada. Lao Tsé ensinava: governa-te a ti próprio, depois a tua família, comunidade, país e mundo.



Lao Tsé (TAO TE KING - LIV)

O que está bem plantado não será arrancado.
O bem conservado não se perde.
Aquele que deixa o seu legado aos filhos e netos, não é esquecido.
Aquele que aperfeiçoa a sua pessoa, obtém uma vida autêntica.
Aquele que aperfeiçoa a sua família, tem uma vida plena,
Aquele que aperfeiçoa a sua comunidade, ganha vida.
Aquele que se dedica ao seu país, tem uma vida rica.
Quem esculpe o mundo, tem uma vida imensa.


Utopia


Uma vez perguntei a um sacerdote honrado, chamado Diamantino Garcias (1943-1995) (documentos RTV futuro, entrevista 8-8-1993), o que pensava das utopia, ao que ele respondeu tranquilamente:

“Acredito firmemente em utopias, são necessários alguns loucos nos nossos povos, que digam coisas impossíveis para que os sensatos se riam deles, mas sempre que os loucos nos mostram o dedo que aponta para a Lua, o imbecil fica a ver o dedo, no entanto, o louco está a apontar a Lua, o propósito é a Lua e não o dedo”.
                                                                                                                 (Diamantino Garcias)

A verdade é que, sendo um homem ateu, ou não, que despreze a vida do outro ou acredite que, pela sua posição social, o seu esforço vale mais do que o dos outros mais desfavorecidos, não merece por ordem natural a vida, já que esta, como mãe, ama todos os seres vivos, dando a cada um o seu espaço.

Aquele que atenta contra a vida, atenta contra as leis naturais e, portanto, contra Deus.

“E o rei vai dizer-lhes, em resposta: ‘Em verdade vos digo: Sempre que o fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes’.
                                                                                                                         (Mateus 25:40)

A igreja do Vaticano representa mais um rosto do sistema e uma falsa moral, pois todas as suas ações têm tomado o mesmo rumo ao longo da história, ou seja: perseguem o mundo! Mas e quem governa o mundo?

“Levando-o a um lugar alto, o diabo mostrou-lhe, num instante, todos os reinos do universo e disse-lhe: Dar-te-ei todo este poderio e a sua glória, porque me foi entregue, e dou-o a quem me aprouver. Se te prostrares diante de mim, tudo será teu
                                                                                                                      (Lucas 4: 5-7)






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